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domingo, 10 de julho de 2011

Daisaku Ikeda fala sobre o eu e o cosmo

Trecho do Livro “Espaço e Vida Eterna”,
de Chandra Wickramasinghe e Daisaku Ikeda, pg 60.

A visão penetrante do budismo é direcionada tanto para o cosmo interno como para o externo. Ao examinar a totalidade dos ensinos de Sakyamuni, o fundador do budismo, percebemos que, na exploração da vida interior, a meditação e a contemplação formam a base da prática. Quando o praticante combina essas duas com várias outras práticas, tais como observar os preceitos e fazer oferecimentos, mergulha cada vez mais no domínio interior de sua vida e se esforça para compreender o que existe em seu mundo interno.

A busca interior não para no plano individual, vai além, entra no domínio transpessoal. Para ser mais específico, essa busca individual abarca a vida dos familiares e dos amigos e continua se expandindo também para a sua raça, a sua nação e até mesmo toda a humanidade. E essa busca vai ainda mais além, identifica a própria vida com a de outros seres vivos e, então, transcende as fronteira do Planeta Terra e o ciclo de nascimento e morte das estrelas e, por fim, entra em fusão com o Universo. Sakyamuni percebeu, com o âmago de sua vida, a existência da “vida fundamental” que dá origem ao próprio universo.
Em outras palavras, Sakyamuni percebeu a existência do cosmo no interior de sua vida e, além disso, alcançou a fonte essencial desse cosmo, ou seja, a vida universal. Então, descobriu que essa fonte é em si una com o cosmo externo. Em seguida, fez o processo reverso, iniciou do ponto essencial da vida para depois voltar a atenção para o mundo fenomenal ou externo. Dessa forma compreendeu que essa “vida fundamental” se estendia não somente às evoluções físicas, químicas e biológicas que ocorrem em todo o cosmo externo, mas também à evolução da consciência humana; na verdade, a cada um dos fenômenos que ocorre no mundo externo.
Assim, o que é visto como interior, em seu nível supremo, é transcendente. No budismo, o interior não significa simplesmente o que existe dentro de nossa vida, mas a relação mútua do próprio cosmo interno com o cosmo externo, que constitui o mundo fenomenal. Essa relação se expressa na frase “o interior é em si transcendente” ou “a transcendência é em si interior”.

Daisaku Ikeda,

terça-feira, 5 de julho de 2011

Nelson Mandela


“ Nascemos para manifestar a glória do Universo que está dentro de nós. Não está apenas em um de nós: está em todos nós.
 E conforme deixamos nossa própria luz brilhar, inconscientemente damos às outras pessoas permissão para fazer o mesmo.
E conforme nos libertamos do nosso medo, nossa presença, automaticamente, libera os outros.” Nelson Mandela

quinta-feira, 30 de junho de 2011

Trecho do livro espaço e vida eterna - Daisaku Ikeda e Chandra Wickramasinghe

Wickramasinghe:
Meus escritores favoritos são Shakespeare, Milton e Wordsworth.
Shakespeare compreendia o mundo com a percepção de um buda. A visão que ele tinha não era científica nem experimental, mas ele enxergou a verdade em relação à pessoas e ao mundo por meio de uma profunda intuição e genialidade. 
Milton era um poeta que expressava o lado espiritual da humanidade. Sua visão era certamente cristã, porém ele descrevia claramente o inextinguível desejo humano de se unir a uma grandiosa existência divina.
Wordsworth deu uma expressão encantadora às virtudes e bênçãos da natureza. Ele nos mostrou a magnificência dos verdes, que agra estamos perdendo, e a beleza das colinas e dos lagos.
Ikeda:
Há um poema de Wordsworth que é um dos meus favoritos:
Meu coração pula de alegria quando avisto
Um arco-íris no céu:
Assim me senti quando criança;
Assim me sinto agora como homem,
E assim será quando eu envelhecer,
Ou me deixem morrer!
A criança é o mestre do Homem;
E eu poderia dizer que meu desejo é que meus dias fossem
Unidos um ao outro pela espiritualidade natural.

A profunda percepção de que a "criança é o mestre do Homem" representa, para os educadores, os pais e os políticos e também para todas as pessoas que já foram crianças, uma fonte inesgotável de inspiração.

Wickramasinghe:
Eu também gosto do poema. Os adultos que perderam o desejo de infância de descobrir o mundo deixaram de viver intelectualmente. Eles descem cada vez mais na escada da vida inteligente.

Ikeda:
Então poderíamos dizer que uma vida realmente inteligente é aquela em que a pessoa jamais perde a entusiástica curiosidade e a pureza do amor que são característicos de uma criança. Uma pessoa cujo pensamente se petrificou não pode ser inteligente, por mais conhecimento que possua.
O budismo ensina que todas as pessoas devem buscar, em sua própria realidade diária e durante toda a vida, o conhecimento da "identidade do universo e da vida", em outras palavras o conhecimento do verdadeiro aspecto da atividade, da comunicação e do apoio mútuos do macrocosmo externo e do microcosmo interno.
Essa busca, essa descoberta, é uma jornada intelectual e, ao mesmo tempo, uma jornada para abrir o universo infinito em nosso interior e estabelecer uma condição de vida que nos conduzirá à criação de ilimitado valor...

quinta-feira, 9 de junho de 2011

Salve a Floresta - Cacique Mutua

CARTA DO CACIQUE MUTUA SOBRE BELO MONTE

"Carta do Cacique Mutua (dos Povos Xavantes) a todos os povos da Terra

        O Sol me acordou dançando no meu rosto. Pela manhã, atravessou a palha da oca e brincou com meus olhos sonolentos. O irmão Vento, mensageiro do Grande Espírito, soprou meu nome, fazendo tremer as folhas das plantas lá fora. Eu sou Mutua, cacique da aldeia dos Xavantes. Na nossa língua, Xingu quer dizer água boa, água limpa. É o nome do nosso rio sagrado. Como guiso da serpente, o Vento anunciou perigo. Meu coração pesou como jaca madura, a garganta pediu saliva. Eu ouvi. O Grande Espírito da floresta estava bravo. Xingu banha toda a floresta com a água da vida. Ele traz alegria e sorriso no rosto dos curumins da aldeia. Xingu traz alimento para nossa tribo.
  Mas hoje nosso povo está triste. Xingu recebeu sentença de morte. Os caciques dos homens brancos vão matar nosso rio. O lamento do Vento diz que logo vem uma tal de usina para nossa terra. O nome dela é Belo Monte. No vilarejo de Altamira, vão construir a barragem. Vão tirar um monte de terra, mais do que fizeram lá longe, no canal do Panamá.
  Enquanto inundam a floresta de um lado, prendem a água de outro. Xingu vai correr mais devagar. A floresta vai secar em volta. Os animais vão morrer. Vai diminuir a desova dos peixes. E se sobrar vida, ficará triste como o índio.
  Como uma grande serpente prateada, Xingu desliza pelo Pará e Mato Grosso, refrescando toda a floresta. Xingu vai longe desembocar no Rio Amazonas e alimentar outros povos distantes. Se o rio morre, a gente também morre, os animais, a floresta, a roça, o peixe tudo morre. Aprendi isso com meu pai, o grande cacique Aritana, que me ensinou como fincar o peixe na água, usando a flecha, para servir nosso alimento.
  Se Xingu morre, o curumim do futuro dormirá para sempre no passado, levando o canto da sabedoria do nosso povo para o fundo das águas de sangue. Pela manhã, o Vento me levou para a floresta. O Espírito do Vento é apressado, tem de correr mundo, soprar o saber da alma da Natureza nos ouvidos dos outros pajés. Mas o homem branco está surdo e há muito tempo não ouve mais o Vento.
  Eu falei com a Floresta, com o Vento, com o Céu e com o Xingu. Entendo a língua da arara, da onça, do macaco, do tamanduá, da anta e do tatu. O Sol, a Lua e a Terra são sagrados para nós. Quando um índio nasce, ele se torna parte da Mãe Natureza. Nossos antepassados, muitos que partiram pela mão do homem branco, são sagrados para o meu povo.
  É verdade que, depois que homem branco chegou, o homem vermelho nunca mais foi o mesmo. Ele trouxe o espírito da doença, a gripe que matou nosso povo. E o espírito da ganância que roubou nossas árvores e matou nossos bichos. No passado, já fomos milhões. Hoje, somos somente cinco mil índios à beira do Xingu, não sei por quanto tempo.
  Na roça, ainda conseguimos plantar a mandioca, que é nosso principal alimento, junto com o peixe. Com ela, a gente faz o beiju. Conta a história que Mandioca nasceu do corpo branco de uma linda indiazinha, enterrada numa oca, por causa das lágrimas de saudades dos seus pais caídas na terra que a guardava.
O Sol me acordou dançando no meu rosto. E o Vento trouxe o clamor do rio que está bravo. Sou corajoso guerreiro, não temo nada.
  Caminharei sobre jacarés, enfrentarei o abraço de morte da jiboia e as garras terríveis da suçuarana. Por cima de todas as coisas pularei, se quiserem me segurar. Os espíritos têm sentimentos e não gostam de muito esperar.
  Eu aprendi desde pequeno a falar com o Grande Espírito da floresta. Foi num dia de chuva, quando corria sozinho dentro da mata, e senti cócegas nos pés quando pisei as sementes de castanha do chão. O meu arco e flecha seguiam a caça, enquanto eu mesmo era caçado pelas sombras dos seres mágicos da floresta. O espírito do Gavião Real agora aparece rodopiando com suas grandes asas no céu. Com um grito agudo perguntou: Quem foi o primeiro a ferir o corpo de Xingu? Meu coração apertado como a polpa do pequi não tem coragem de dizer que foi o representante do reino dos homens. O espírito do Gavião Real diz que se a artéria do Xingu for rompida por causa da barragem, a ira do rio se espalhará por toda a terra como sangue e seu cheiro será o da morte.
  O Sol me acordou brincando no meu rosto. O dia se abriu e me perguntou da vida do rio. Se matarem o Xingu, todos veremos o alimento virar areia.
  A ave de cabeça majestosa me atraiu para a reunião dos espíritos sagrados na floresta. Pisando as folhas velhas do chão com cuidado, pois a terra está grávida, segui a trilha do rio Xingu. Lembrei que, antes, a gente ia para a cidade e no caminho eu só via árvores.
 Agora, o madeireiro e o fazendeiro espremeram o índio perto do rio com o cultivo de pastos para boi e plantações mergulhadas no veneno. A terra está estragada. Depois de matar a nossa floresta, nossos animais, sujar nossos rios e derrubar nossas árvores, querem matar Xingu.
  O Sol me acordou brincando no meu rosto. E no caminho do rio passei pela Grande Árvore e uma seiva vermelha deslizava pelo seu nódulo. Quem arrancou a pele da nossa mãe? gemeu a velha senhora num sentimento profundo de dor. As palavras faltaram na minha boca. Não tinha como explicar o mal que trarão à terra. Leve a nossa voz para os quatro cantos do mundo clamou O Vento ligeiro soprará até as conchas dos ouvidos amigos ventilou por último, usando a língua antiga, enquanto as folhas no alto se debatiam.
  Nosso povo tentou gritar contra os negócios dos homens. Levamos nossa gente para falar com cacique dos brancos. Nossos caciques do Xingu viajaram preocupados e revoltados para Brasília. Eu estava lá, e vi tudo acontecer.
  Os caciques caraíbas se escondem. Não querem olhar direto nos nossos olhos. Eles dizem que nos consultaram, mas ninguém foi ouvido.
  O homem branco devia saber que nada cresce se não prestar reverência à vida e à natureza. Tudo que acontecer aqui vai voar com o Vento que não tem fronteiras. Recairá um dia em calor e sofrimento para outros povos distantes do mundo.
  O tempo da verdade chegou e existe missão em cada estrela que brilha nas ondas do Rio Xingu. Pronta para desvendar seus mistérios, tanto no mundo dos homens como na natureza.
 Eu sou o cacique Mutua e esta é minha palavra! Esta é minha dança! E este é o meu canto!
Porta-voz da nossa tradição, vamos nos fortalecer. Casa de Rezas, vamos nos fortalecer. Bicho-Espírito, vamos nos fortalecer. Maracá, vamos nos fortalecer. Vento, vamos nos fortalecer. Terra, vamos nos fortalecer. Rio Xingu! Vamos nos fortalecer!
Leve minha mensagem nas suas ondas para todo o mundo: a terra é fonte de toda vida, mas precisa de todos nós para dar vida e fazer tudo crescer. Quando você avistar um reflexo mais brilhante nas águas de um rio, lago ou mar, é a mensagem de lamento do Xingu clamando por viver.

 Cacique Mutua",
Xingu, Pará, Brasil, 08 de junho de 2011.


sexta-feira, 20 de maio de 2011

Somos um sonhar sem limite e só sonhar.


Somos um sonhar sem limite e só sonhar.
Não podemos, pois, ter idéia do que seja um não sonhar

Tudo quanto é e existe é um sentir e é o que cada um de nós tem sido sempre e continuamente. De onde pode um sentir, uma sensibilidade, tomar consciência do que possa ser um não sentir, um tempo sem fatos, pois somente há, só existe o que é fato, nosso estado em nossa sensibilidade? Nossa eternidade, um infinito sonhar igual ao presente é certíssimo.

Mas me dirão que há sonhos que cessam, que se tornam tão rebeldes que nunca os recuperamos: há os que se ocultam, as ocultações dos que talvez existam mas que não veremos nem reconheceremos mais.

Essas ocultações só existem para um Sonhar hesitante: há sonhos que reclamam para voltar à plenitude de nossa alma, uma alma transbordante, uma certeza sem sombra em nossa decisão de sonhá-los.

Quem sabe nessa fragilidade de sonhar quantas vezes afastamos o sonho dos que voltam, desacreditamos, negamos a visita plena e inteira que nos oferecia alguém que Voltava da Ocultação!

Museu do romance da Eterna, de Macedônio Fernandez

quinta-feira, 28 de abril de 2011

Caminhando pelo deserto

Caminhando no deserto
Ele andava no deserto. Estava tão seco que sua pele  mais parecia escamas de peixes terrestres. O vazio tomava conta de tal maneira que seu caminhar, juntamente com seu pensamento perderam o propósito do próprio andar. Tudo que se via e sentia era areia quente.  Ele, de vez em quando, se via numa breve ilusão, em meio à um oásis com belas árvores, límpidas águas e deliciosas sombras.  Mas a ilusão era tão evidente que ele só conseguia observar de longe, sem sentir, sem tocar, sem nada adentrar. Era um expectador de algo que poderia ser o paraíso, mas que nem próximo poderia chegar para concluir se era ou não. Como em um sonho esse oásis se desfazia em sua frente. Ele ainda o via como antes, suas águas, árvores e sombras,  porém  desfeito.  Ele conseguia sentir esta ilusão se desfazendo bem na sua frente,  pois o calor  e a aridez da areia que nunca deixaram de estar presentes voltaram a aparecer.  
Em meio à sua contínua caminhada, árida, solitária e longa pelo deserto, destituída das próprias ilusões ele percebe que a melhor maneira para continuar sua jornada com forças para transformar o próprio deserto era se banhar naquele delicioso oásis, descansar e recuperar suas forças nas agradáveis sombras daquelas frondosas árvores, se alimentar de seus maravilhosos frutos. Daí poderia continuar seu longo percurso, que não duraria mais que um piscar de olhos, através daquele deserto de belezas nunca vistas antes.
E assim ele continuou, sem mais se iludir!
Abdul Issair
Poema em homenagem à Damasco interior.

quarta-feira, 30 de março de 2011

Somos estrelas

Lendo o livro ``Budismo e Astrologia`` de Ronaldo Brandão de Freitas Mourão e Daisaku Ikeda, descobri uma coisa muito interessante: Nós somos estrelas.

Somos feitos a partir das explosões das estrelas, pois elas são as responsáveis por trazer à Terra os componentes necessários para a vida, ou seja os componentes que nos fazem existir como seres vivos. Somos feitos da mesma matéria que as estrelas.

Para quem quiser se aprofundar nesta questão, sugiro que leia o livro, ou aprofunde os conhecimentos em torno da astronomia.

Escandar Alcici Curi

terça-feira, 29 de março de 2011

“Cuidado com teus pensamentos: eles se tornam tuas palavras.

Cuidado com tuas palavras: elas se tornam tuas ações.

Cuidado com tuas ações: elas se tornam teus hábitos.

Cuidado com teus hábitos: eles se tornam teu caráter.

Cuidado com teu caráter: ele se torna teu Destino”.



(Hillel o Antigo, estudioso do Talmude, 30 a.C – 10 d.C.)

quarta-feira, 23 de março de 2011

Viva o presente:


Não deseje a morte só porque sua vida é dura. Todas as cargas que pesam sobre seus ombros lhe ajudam a cumprir o seu destino (a sua missão). O único meio de alguém se livrar de tais cargas é viver a vida de modo a cumprir o seu destino (a sua missão).

Só conhecemos nossa vida tal como ela existe neste mundo; portanto, se ela tiver de ter alguma significação, esta deverá ser encontrada também neste mundo. A vida real só é encontrada no presente. Se alguém lhe disse que deve levar sua vida preparando-se para o futuro, não acredite. Vivemos nesta vida, e só conheceremos esta vida, e portanto, todos os nossos esforços devem ser dirigidos no sentido da melhoria desta vida. Não sua vida de modo geral, mas cada hora dela deve ser vivida da melhor maneira que você souber fazê-lo. 

A vida não é sofrimento nem prazer, mas todas as tarefas que temos de cumprir, e que temos de concluir de forma honesta, até o fim. 

Este mundo, e apenas este mundo, é o local de nosso trabalho, e todas as nossas forças, todos os nossos esforços, deverão ser direcionados para esta vida. 

Leon Tostoi [1828-1910] in A Calendar of Wisdom.




... refletindo sobre a velhice, a sabedoria, o sentido da vida, as pressões diárias de trabalho, o ler por prazer, a missão de cada um, a falta de tempo, a solidão ...

segunda-feira, 21 de março de 2011

Li Po

Li  Po

CAÇADA

Os filhos da fronteira ignoram por toda a vida os livros.
Não sabem senão caçar, orgulhosos de serem flexíveis e ágeis.
No outono, seus cavalos bárbaros engordam, precisam de ervas,
e eles então sobem para a sela, com perfil desdenhoso e altivo;
seus chicotes de ouro afloram à neve;
a bainha de suas espadas estala.
Meio ébrios chamam seus falcões e partem para os campos distantes.
Distendem seus arcos, que quase se arredondam e nunca erram o alvo.
Uma flecha assovia: dois grous negros caem ao mesmo tempo.
À beira do lago, quem os vê fica apavorado,
pois sua ferocidade e bravura enchem o deserto.

(Fechado até a velhice atrás de cortinas,
como pode o letrado competir com o cavaleiro?)




Tradução: Cecília Meirelles


Li  Po (ou Li Tai Po, ou Li Bai), Chinês, 701-762, considerado o maior poeta romântico da dinastia Tang. “Seus delicados poemas são feitos de quase nada: são como miniaturas de excelente desenho.” (Cecília Meirelles). Conhecido pela sua imaginação extravagante e pelo seu grande amor à bebida. Passou grande parte de sua vida viajando. Dizem que morreu afogado no rio Yangzi, tendo caído do seu bote ao tentar abraçar o reflexo da lua, alcoolizado.
Imagem do site: http://www.tastearts.com/tag/wine-poems/page/2/

domingo, 20 de março de 2011



Quando a noite cair, fica à janela,
E contempla o infinito firmamento!
Vê que planície fulgurante e bela!
Vê que deslumbramento!
Surgem novas estrelas imprevistas...
Inda outras mais despontam...
Mas, acima das últimas que avistas,
Há milhões que não se contam.

Olavo Bilac
 


Reduzindo o ser humano num ponto quase insignificante
O imensurável Universo se move num ritmo perfeito.
Envolta por essa grandeza sem tamanho, 
A vida, como princípio filosófico,
Há de permear novamente todo o cosmo.

A causa e o efeito se projetam como simultâneos,
O limitado abarca o ilimitado,
O instante envolve a eternidade,
O eu e o cosmo se cruzam em atividade,
Cada qual se unindo à retumbante sinfonia da absoluta unidade
Na ininterrupta evolução universal.

Daisaku Ikeda




Do livro "Astronomia e Budismo", 2009

quinta-feira, 17 de março de 2011

Rapsódia em Azul, da Disney: 






Postado por Luiz Felipe. Valeu! (abaixo, recado dele): 



Olá pessoal !

 Eu sou Luiz Filipe, responsável da DMJ da comunidade barroca, constituída pelo bloco Topázio e pelo bloco Turquesa e atuo também como responsável da DMJ do bloco Turquesa. Estou divulgando aqui no blog algumas postagens pra quem gosta de curtir vídeos engraçados, musicais, românticos, etc.. E para começar... 
Rapsódia em Azul da Disney! 


Aproveitem!!!

terça-feira, 15 de março de 2011

Humanitarian Activities

Soka Gakkai Relief Activities and SGI President's Message
Mar 13, 2011
110312tohoku-center-food.JPGDistributing water and food early in the morning of March 12 at the Tohoku Culture Center
In response to the massive earthquake and subsequent tsunamis which devastated parts of northern Japan on March 11, the Soka Gakkai central emergency communications center at the Soka Gakkai Headquarters in Tokyo is coordinating closely with local emergency centers set up by Soka Gakkai in the prefectures concerned to gather information, contact those in affected areas and initiate relief efforts.
110312tohoku-firetrucks.JPGFire trucks on standby in the parking lot of the Tohoku Culture Center
Soka Gakkai members continue to visit accessible areas to check on people's whereabouts and well-being, offering support and helping those in need of shelter find accommodation.
Soka Gakkai community centers throughout the affected region have been opened to provide accommodation and food for the public, including seven in the worst-hit Miyagi prefecture where Sendai city is located.
The Soka Gakkai Tohoku Culture Center in Sendai is now the regional emergency coordination center for the organization's relief efforts. Around 600 people spent the night there on March 11 and from 6:30am on the following morning, breakfast prepared by volunteers who worked through the night was served. Snacks and donuts were provided for children.
The center has a large parking lot that has been made available to local fire stations. Twenty fire trucks are now parked there and continue to engage in fighting the fires which are still breaking out.
The Soka Gakkai Headquarters, as well as Soka Gakkai members in Yamagata prefecture and the Shinetsu and Kansai areas, have sent trucks containing relief supplies such as water, blankets, food, stove burners and portable toilets.
110311yamagata-truck.jpgYouth members in Yamagata prefecture load relief supplies and food onto trucks in the snow, March 11
Youth members in Yamagata prefecture on the northwestern coast, which experienced relatively little damage, collected food and beverages including bananas, sausages and tea, as well as nutritional supplements and medicine, and drove trucks carrying these supplies to Sendai, arriving at the Tohoku Culture Center at around 2am on March 12, after driving for over four hours.
110312iwate-center.JPGDisplaced people at the Soka Gakkai Iwate Culture Center, March 12
Mr. Akihiko Morishima, regional leader of Soka Gakkai in Miyagi prefecture, commented, "We are so grateful for the encouragement and support we are receiving from throughout Japan and around the world. Now we are working hard to rescue the survivors. Here we pride ourselves on our 'indomitable spirit,' so no matter what the circumstances, we will not be defeated. We are putting all our energy into transforming this terrible situation."
On March 13, a message to all those affected by the earthquake from SGI President Daisaku Ikeda was published in the Soka Gakkai's organ newspaper, theSeikyo Shimbun:
I offer this expression of heartfelt sympathy and support to all those whose lives have been impacted by the massive earthquake that struck northeastern Japan on March 11, 2011. My wife Kaneko and I are sending powerful daimoku to you, my precious, treasured friends, for you to be able to experience the clear and certain protection of the Buddha and the Buddhist deities. As Nichiren Daishonin declares, "Myo means to revive, that is, to return to life." (WND vol.1, p.149) Now is the time to muster the indomitable power of faith and practice, in order to bring forth and make manifest the boundless power of the Buddha and the Law as we together strive to transform this great suffering and trial. Again, I offer my deepest sympathy to all who have been afflicted.
[Adapted from an article in the March 13, 2011, issue of the Seikyo Shimbun, Soka Gakkai, Japan; photos courtesy of Seikyo Shimbun]

Fonte: http://www.sgi.org/news/h-relief/relif2011/soka-gakkai-relief-activities-sgi-presidents-message.html

segunda-feira, 14 de março de 2011

A Nova Consciência de ser Mundo

A Nova Consciência de ser Mundo

Graças aos progressos fulminantes da informação, o mundo fica mais perto de cada um, não importa onde esteja. O outro, isto é, o resto da humanidade, parece estar próximo. Criam-se, para todos, a certeza e, logo depois, a consciência de ser mundo e de estar no mundo, mesmo se ainda não o alcançamos em plenitude material ou intelectual.O próprio mundo se instala nos lugares, sobretudo as grandes cidades, pela presença maciça de uma humanidade misturada, vinda de todos os quadrantes e trazendo consigo interpretações variadas e múltiplas, que ao mesmo tempo se chocam e colaboram na produção renovada do entendimento e da crítica. Assim o cotidiano de cada um se enriquece, pela experiência própria e pela do vizinho, tanto pelas realizações atuais como pelas perspectivas de futuro. As dialéticas da vida nos lugares mais enriquecidas são paralelamente o caldo de cultura necessário à proposição e ao exercício de uma nova política.

Funda-se, de fato, um novo mundo. Para sermos ainda mais precisos, o que, afinal, se cria é o mundo como realidade histórica unitária, ainda que ele seja extremamente diversificado.

Ousamos desse modo, pensar que a história do homem sobre a terra dispõe afinal das condições objetivas, materiais e intelectuais, para superar o endeusamento do dinheiro e dos objetivos técnicos e enfrentar o começo de uma nova trajetória. Aqui, não se trata de estabelecer datas nem de fixar momentos de folhinha, marcos num calendário. Como o relógio, a folhinha e o calendário são convencionais, repetitivos e historicamente vazios. O que conta mesmo é o tempo das possibilidades efetivamente criadas, o que à sua época, cada geração encontra disponível, isso a que chamamos de tempo empírico, cujas mudanças são marcadas pela irrupção de novos objetivos, de novas ações e relações e de novas idéias.

Milton Santos, (considerado um dos maiores geógrafos da contemporaneidade e único brasileiro ganhador do Prêmio Vautrim, considerado o Nobel da Geografia).

domingo, 13 de março de 2011

sábado, 12 de março de 2011

Compaixão


"Se os fundamentos de nossa vida não fossem da mesma natureza em todos nós, não seríamos capazes de explicar os sentimentos de compaixão que na verdade experimentamos. Há muita gente mais infeliz do que você. Essa mensagem pode não ser um telhado sob o qual você possa viver, mas será bastante como um telhado onde você se esconda durante as tempestades. 


A verdadeira compaixão só começa quando você se coloca no lugar daqueles que sofrem e sentem o verdadeiro sofrimento."
Leon Tolstoi


"Depois de várias tempestades e naufrágios, 
o que fica em mim é cada vez mais essencial e verdadeiro."

Caio Fernando Abreu

sexta-feira, 11 de março de 2011

Ondas de Oração, Superação e Esperança ao Japão



ONDAS


Correi, rolai, correi _ ondas sonoras
Que à luz primeira, dum futuro incerto,
Erguestes-vos assim _ trêmulas, canoras,
Sobre o meu peito, um pélago deserto!
Correi… rolai _ que, audaz, por entre a treva
Do desânimo atroz _ enorme e densa _
Minh’alma um raio arroja e altiva eleva
Uma senda de luz que diz-se _ Crença!

Ide pois _ não importa que ilusória
Seja a esp’rança que em vós vejo fulgir…
_ Escalai o penhasco ásp’ro da Glória…
Rolai, rolai _ às plagas do Porvir!

do livro "Ondas"
Fonte:
CUNHA, Euclides da. Ondas. São Paulo: Martin Claret, 2005.

quinta-feira, 10 de março de 2011

Sakyamuni



"Um bom amigo, que nos aponta os erros e as imperfeições e reprova o
mal, deve ser respeitado como se nos tivesse revelado o segredo de um
oculto tesouro". Sakyamuni

 Enviado por fujijunior

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"O Elefante branco das seis presas de marfim"

(Sutra Samyuktaratnapitaka) 

Certa vez, a rainha de Videha, na Índia, sonhou com um elefante branco que tinha seis presas de marfim.

Como desejasse as presas, suplicou ao rei que as conseguisse para ela. Embora a tarefa parecesse impossível, o rei, que a amava muito, tudo fez para conseguí-las, inclusive oferecendo recompensas a qualquer caçador que lhe pudesse dizer onde encontrar tal elefante.

Acontece que havia este elefante de seis presas, na montanha do Himalaia, e que estava se preparando para alcançar a iluminação. Esse elefante havia, certa vez, em uma emergência, nessas montanhas, salvado a vida de um caçador que, assim, pode retornar com segurança ao seu país.

Esse caçador, entretanto, cego pela grande recompensa e esquecendo-se da bondade do elefante, voltou às montanhas para matá-lo.

O caçador, sabendo que o elefante estava procurando alcançar o estado de um Buda, disfarçou-se com a roupa de um monge budista e, assim, apanhando o elefante desprevenido, atirou-lhe uma seta envenenada.

O elefante, sabendo que seu fim estava próximo e que o caçador tinha sido vencido pelo desejo mundano da recompensa, dele se compadeceu, abrigando-o entre seus membros, para protegê-lo da fúria de outros vingativos elefantes.

Então, o elefante perguntou ao caçador por que havia cometido tal loucura. O caçador lhe respondeu que foi por causa da recompensa e porque desejava as suas seis presas.

Ato continou, o elefante quebrou as suas presas, batendo-as numa árvore e as ofereceu ao caçador, dizendo : "Com este presente, acabo de completar o meu treinamento para atingir o estado de um Buda e logo estarei entrando no Nirvana. Quando eu me tornar um Buda, renascerei e virei ajudá-lo a se livrar de suas três venenosas setas : da cobiça, do ódio e da estultícia."

quarta-feira, 9 de março de 2011

Os Anjos de Swedenborg


Durante os últimos vinte e cinco anos da sua vida de estudo, o eminente homem de ciência e filósofo Emanuel Swedenborg (1688-1722) fixou residência em Londres. Como os ingleses são taciturnos, ganho o hábito quotidiano de falar com demónios e anjos. O Senhor permitiu-lhe vivistar as regiões ultraterrenas e partir com os seus habitantes. Cristo tinha dito que as almas, para entrarem no Céu, devem ser justas; Swedenborg acrescentou que devem ser inteligentes e depois Blake estipularia que fossem artísticas. Os Anjos de Swedenborg são as almas que escolheram o Céu. Podem prescindir das palavras; basta que um Anjo pense noutro para o ter junto dele. Duas pessoas que se amaram na Terra formam um único Anjo. O seu mundo está regido pelo amor; cada Anjo é um Céu. A sua forma é a de um ser humano perfeito; a do Céu é assim mesmo. Os Anjos podem olhar para o Norte, o Sul, o Leste e o Oeste; sempre hão-de olhar Deus cara a cara. São acima de tudo teólogos; o seu maior prazer é a prece e a discussão de problemas espirituais. As coisas da Terra são símbolos das coisas do Céu. O Sol corresponde à divindade. No Céu não existe o tempo; as aparências das coisas mudam segundo os estados de ânimo. Os trajes dos Anjos resplandecem segundo a sua inteligência. No Céu os ricos continuam a ser mais ricos do que os pobres, por estarem já habituados à riqueza. No Céu, os objectos, os móveis e as cidades são mais concretas e mais complexas que os da Terra; as cores mais variadas e  claras. Os Anjos de origem inglesa tendem para a política; os judeus para o comércio de jóias; os Alemães trazem livros que consultam antes de qualquer resposta. Como os Muçulmanos estão acostumados à veneração de Maomé, Deus concedeu-lhes um Anjo que simula ser o Profeta. Os pobres de espírito e os ascetas estão excluídos dos prazeres do Paraíso porque os não compreenderiam.

Jorge Luis Borges, O livro dos seres imaginários